O Protocolo RUSH (Rapid Ultrasound in Shock and Hypotension) tem se tornado uma ferramenta crucial na avaliação de pacientes em estado de choque e hipotensão ainda não diagnosticados. Dada abordagem ágil e eficiente do POCUS, é possível identificar rapidamente condições que levem ao quadro de choque do paciente, como tamponamento cardíaco, hipovolemia, TEP, entre outros.
As aplicações clínicas do RUSH no atendimento inicial do trauma, da sepse e na insuficiência cardíaca aguda são extremamente importante dada a possibilidade de identificar rapidamente qual a causa base da condição atual do paciente, e assim atuar diretamente, reduzindo a morbimortalidade do paciente.
O protocolo RUSH é dividido em várias etapas, cada uma focando em áreas-chave de investigação. Na prática, o protocolo RUSH une diferentes protocolos concomitantemente, de forma que possibilite a avaliação da hemodinâmica do paciente, com foco na potencial causa para o quadro clínico atual.
Inicialmente, são avaliadas as câmaras cardíacas para detectar disfunções cardíacas, como tamponamento cardíaco ou insuficiência cardíaca. Em seguida, é realizada uma avaliação pulmonar para identificar condições como pneumotórax, efusão pleural ou edema pulmonar. Após isso, é feita uma avaliação vascular para detectar possíveis causas relacionadas ao sistema vascular, como embolia pulmonar ou hipovolemia.
O fluxograma abaixo ilustra de forma simplificada as etapas do protocolo RUSH:
O principal objetivo deste protocolo é auxiliar o médico na tomada de decisões, a fim de garantir melhor monitoramento e intervenções, farmacológicas ou cirúrgicas.
1) Choque não esclarecido: Pacientes que apresentam choque (distributivo, hipovolêmico, cardiogênico ou obstrutivo) com etiologia não diagnosticada devem ser avaliados com o RUSH.
2) Hipotensão aguda: A queda súbita da pressão arterial sem causa evidente é outra indicação.
3) Suspeita de condições críticas específicas: Como tamponamento cardíaco, TEP massivo, ruptura de aneurisma aórtico, ou pneumotórax hipertensivo, onde o diagnóstico rápido é crucial para a sobrevida.
Relativas: Em pacientes muito instáveis, a mobilização ou a posição necessária para o exame pode não ser tolerada. Além disso, a inexperiência do operador pode resultar em diagnósticos incorretos ou intervenções inadequadas.
Absolutas: Não existem contraindicações absolutas ao uso do ultrassom em si, mas a interpretação incorreta dos achados pode levar a decisões prejudiciais. Assim, a supervisão adequada e a experiência são fundamentais.
Para facilitar a compreensão, pode-se simplificar o protocolo RUSH com a sigla HIAMP, que do inglês corresponde a (Heart, Inferior Vena Cava, Morrison´s Pouch, Aortic e Pneumothorax)
1) Heart (Coração): avalia-se o tamanho, a função e a presença de derrame pericárdico. O ultrassom é capaz de identificar disfunções cardíacas como falência ventricular, tamponamento e disfunção ventricular direita, características de TEP.
2) Inferior Vena Cava (ICV): Avalia a volemia observando o diâmetro e a colapsibilidade da veia cava inferior. Uma veia cava colabada sugere hipovolemia, enquanto uma veia dilatada e fixa pode indicar sobrecarga de volume ou hipertensão venosa.
3) Morrison´s Pouch (Espaço de Morrison): A avaliação FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é utilizada para detectar líquido livre no abdome, sugerindo hemorragia interna, como em rupturas hepáticas, esplênicas ou hemorragia retroperitoneal.
4) Aortic (Aorta): Avalia a presença de aneurismas ou dissecção de aorta, identificando dilatações ou separações da camada íntima que podem requerer intervenção imediata.
5) Pneumothorax (Pneumotórax): A avaliação do pulmão busca a presença de pneumotórax por meio da observação do deslizamento pleural e do ponto do pulmão (lung point), que são cruciais para confirmar ou excluir pneumotórax.
O “Sinal do D” refere-se a um achado ultrassonográfico que pode sugerir a presença de um pneumotórax. Esse sinal se manifesta como uma linha curva e hiperecogênica, representando a interface entre o pulmão colapsado e a parede torácica.
Observe a seguir as localizações de cada um dos compartimentos descritos acima.
Este website foi desenvolvido como parte do projeto PUB-USP – Construção e validação de ferramenta online para ensino de ultrassonografia point-of-care na graduação – pelo aluno João Marcos Bonifácio da Silva, sob orientação do Prof. Dr. Marcos Antonio Marton Filho.